ROBERTA CAMPOS

19/07 (QUARTA - 19H)



O FM Hall Estúdios receberá a cantora Roberta Campos para um pocket show intimista e exclusivo.
Vale a pena conferir!
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Foi no finzinho de 2008, talvez início de 2009. Eu fazia curadoria para o Prata da Casa, um projeto muito legal do Sesc Pompeia, dedicado a descobrir e promover novos artistas. Para tanto, recebia e escutavadezenas de CDs por semana, quase sempre demos, de todos os gêneros e procedências. E dali pescava,todo mês, os quatro melhores trabalhos para serem apresentados ao vivo naquele palco. Foi numa dessas pescarias que encontrei Roberta Campos pela primeira vez.Soterrado em uma enorme caixa de papelãodeixada em minha portaria pela produção do Sesc,um exemplar de seu primeiro álbum, “Para Aquelas Perguntas Tortas” (2008), se destacou no meio dobolo.

Mais do que independente, aquele era um disco caseiro. Mas, embora tivesse sido feito à mão, tudo nele – a começar pela arte gráfica, cool ebem acabada – indicava que a artista por trás daquilo tinha algo concreto a dizer. O repertório era absolutamente autoral, sendo que 15 das 16 faixas (incluindo duas escondidas) eram assinadas apenas por Roberta. Apenas uma em parceria. A ficha técnica era mais solitária ainda: vozes, backings, violões de 6 e de 12 cordas, hammond, percussões e até um violino (controlador MIDI) foram tocados pela própria Roberta. A nota no encarte explicava melhor: “Gravações realizadas na minha casa entre novembro de 2007 e janeiro de 2008. Registro de meus pensamentos e sentimentos. Qualquer erro pode ter sido proposital ou não”. Era, portanto, o retrato de uma artista em estado bruto, sem truque enem maquiagem.

Agora, sete anos depois, Roberta Campos lança “Todo Caminho É Sorte”, seu quarto álbum (terceiro lançado por uma gravadora, a Deck). E eu relembro toda essa história antiga,porque é justamente com aquela mesma pureza essencial –sem truque e nem maquiagem – que a cantora mineira constrói o novo trabalho.É verdade: Roberta já não está mais sozinha. Desta vez, ela se encarregou apenas das vozes e dos violões. Arregimentou uma banda de amigos para tocar os outros instrumentos. Mas tomou todos os cuidados para que o clima confessional e íntimo do álbum não fosse abalado pela presença dos demais músicos. Fabio Pinczowski tocou quase todos os pianos, teclados e sintetizadores; Adriano Paternostro, os baixos; e Loco Sosa fez a maior parte das baterias e percussões. Além dessa banda base, queatua em quase todas as faixas,o álbum ganhou adesões de outros instrumentistas: Marcos Suzano (percussão em “No Tempo Certo das Horas” e “Libélula”), Zé Nigro e Christiaan Oyens (baixo e lap steel, respectivamente, em “Minha Felicidade”),Jota Moraes (vibrafone em “No Tempo Certo das Horas”), Otávio de Moraes (arranjo de cordas em “Libélula”), Danilo Oliveira (violão em “Cirandar”), Rafael Ramos (bateria em “Pra Morrer de Amor”) e Marcelo Jeneci (teclados em “Amiúde”). As cordas ficaram por conta de Ricardo Amado (violino) e Marcus Ribeiro (cello).

Roberta é compositora compulsiva. Segundo suas próprias contas, tem um baú com cerca de 400 canções inéditas. Escolhe o que vai gravar a partir do conceito do álbum. Nesse caso, por exemplo, partiu do título – “Todo Caminho É Sorte” – para, aí sim, selecionar o repertório que lhe caberia. E como a intenção aqui era, desde o início, se reaproximar dos tempos caseiros e artesanais de “Para Aquelas Perguntas Tortas”, optou por gravar as bases no estúdio 12 dólares, em São Paulo, “uma casa de dois andares bem aconchegante, com cachorro e tudo”, conforme a própria cantora define. Duas semanas de trabalho depois, foi para o estúdio Tambor, no Rio, colocar as vozes definitivas.

A produção de Rafael Ramos cuida para que o maior dos atributos de Roberta – o de criadora de cançõesde grande potencial pop – nunca seja abafado pela exuberância dos arranjos. A canção – letra e melodia bem amarradas elevadas na simplicidade crua do violão – é o que mais importa aqui e está sempre à frente, acima. Isso fica claro o tempo todo, nas 12 faixas de “Todo Caminho É Sorte”, mas nunca tanto quanto em “Amiúde” (Roberta Campos), que tem participação de Marcelo Camelo nos vocais.“Me encontro em qualquer lugar/ Perdido pra você me achar/ Nas coisas que me esqueço e invento/ Me encontre em qualquer lugar/ Há tempo pra me encontrar/ Me mostre a saída que eu entro”, dizem os versos da canção que, segundo Roberta, foram escritos “para mim mesma, como se eu estivesse falando com meu outro eu”. Referência importante paragrande parte dos jovens criadores de canção no país, Camelo é, portanto,o outro eu, um espelho para Roberta Campos na faixa.

Músicas criadas em parceria também são mais numerosas agora. Danilo Oliveira é coautor de três faixas: “Minha Felicidade”, “No Tempo Certo das Horas” e “Cirandar”.Ele é violonista clássico e um dos amigos que Roberta conheceu nos tempos de São Paulo, cidade onde ela vive há uma década. Em “Diário de um Dia” (2012), seu álbum anterior, já havia uma canção dos dois, “Sete Dias”, que foi tema da novela “Amor Eterno Amor”, da TV Globo.

Além de Danilo, apenas Fernanda Takai divide uma composição com Roberta no disco. “Abrigo” inaugura a parceria das cantoras. Masvale lembrar que Takai já havia gravado Roberta antes. Escrita a seis mãos com Ricardo Koctus e John Ulhoa, “Eu Era Feliz”fez parte do disco “Não Pare Pra Pensar” (2014), o mais recente do Pato Fu.E a banda mineira já está na história (e nas histórias) de Roberta Campos desde a pré-história das gravações caseiras. Ela se lembra de quando tomou coragem e escreveu uma carta para o Pato Fuperguntando se poderia enviar uma de suas músicas para eles, se gostassem, gravarem. Foi a própria Fernanda que respondeu a carta – também manuscrita, envelopada, selada e postada no correio – dizendo que sim, que Roberta podia mandar a música. Não mandou. Só foi acertar as contas com esse passado agora.

“Casinha Branca” (Gilson/ Joran) é a única faixade “Todo Caminho É Sorte” que não foi escrita por Roberta Campos. Mas, em alguma instância profunda, não deixa de ser uma música dela. Por muito tempo, foi sua canção predileta. Sucesso do cantor e compositor potiguar Gilson na virada dos anos 1970 para os 1980, “Casinha Branca”não remete apenas à memória afetiva de Roberta, mas também aos primórdios de sua formação artística. Ela a ouviumuitas vezes logo na primeira infância, tocada ao violão por um tio. Foi a primeira vez quesentiu a vontade de também fazer aquilo: cantar e tocar violão.

A propósito, o show dela no Prata da Casa, aquele que citei no início deste texto, foi um sucesso. Eu me lembro que Nando Reis – outro cara que valoriza a canção acima de todas as coisas – estava na plateia e assistiu à apresentação de boca aberta. Ele se empolgou tanto que, poucos dias depois, já estava com ela em estúdio, registrando um dueto em “De Janeiro a Janeiro”, uma das faixas de “Varrendo a Lua” (2010), oprimeiro álbum de Roberta gravado em esquema profissional. Se bem que, quando estamos falando em Roberta Campos, esses conceitos de “gravação profissional” ou “esquema caseiro” perdem um pouco o sentido. É que, ao menos em essência, ela continua em sua busca por preservar nas canções algo do espírito com que elas nasceram. Ainda se vale do impulso dos primeiros tempos, onde o que importa mesmo é o “registro de meus pensamentos e sentimentos”. Qualquer erro pode ter sido proposital. Ou não.

Roberta Campos – “Todo Caminho É Sorte”

Ingressos

Entrada Gratuita.
FM Hall Estúdios - Bossa Nova Mall, ao lado do Santos Dumont.



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